Feliz 2014!

Os últimos meses foram horríveis, talvez os piores que já tive. Talvez seja por isso também que eu tenha escrito tão pouco aqui, porque, ao mesmo tempo em que criei esse blog, eu estava triste demais para escrever sobre o que descobri, comprei, aprendi e cozinhei.

Quando a vida fica assim, sem cor, é difícil para mim pensar nas coisas boas que acontecem em minha vida, que são muitas. E isso é muito, muito errado, porque são elas que nos ajudam a seguir em frente, mesmo quando o trabalho é só frustração, quando seu coração está partido ou quando perdemos alguém que amamos. Por mais que a gente sofra, temos que pensar no que há de bom, certo? O resto, ele não vale a pena.

Hoje, acordei cedinho, com o raiar do sol. Sentada na janela do meu quarto, fiquei admirando o céu e pensando em tudo de bom que me aconteceu neste ano. Foi um grande ano no fim das contas! Eu me formei em jornalismo na universidade em que queria estudar desde que me conheço por gente (acho que eu já nasci meio nerd – que criança de seis ou sete anos define a universidade em que quer estudar? no máximo, ela escolhe a primeira das ene carreiras que deseja seguir ao longo da vida). Depois de quatro estágios, ao longo de cinco anos, consegui meu primeiro emprego de verdade, com muito mais responsabilidade do que eu imaginava ter nessa fase, o que não é de todo ruim: se as pessoas confiam e acreditam tanto em mim, fico muito agradecida e acho que devo fazer o mesmo. E o mais legal de tudo foi ter investido em confeitaria e descoberto um lado meu que nunca imaginei ter, mas que é hoje uma das coisas que mais gosto a meu respeito.

Aliás, desde o começo do mês, posso dizer que sou confeiteira. Não é legal?

2014 promete ser um ano tão intenso quanto 2013, mas eu espero que de uma forma mais positiva. Espero que tudo o que aconteceu em 2013 tenha me tornado mais forte e madura para fazer de 2014 um ano de mais felicidade que tristeza, mais ganhos do que perdas. E também de mais posts por aqui – eu sei que várias pessoas acessam o Sweets Only e peço desculpas pela falta de atualizações. Eu me esforçarei para ser uma blogueira mais disciplinada e atenciosa no ano que está por vir.

A todos que leem o Sweets Only, fica o meu agradecimento e o meu desejo para que sejamos fortes o suficiente para fazer de 2014 um ano incrível, repleto de felicidade, amor, carinho e sucesso. Feliz ano novo!

Bolo de banana com casca e castanha-do-pará

Quando uma pessoa me conhece, as primeiras coisas que ela descobrirá a meu respeito são provavelmente que estou sempre com fome e que adoro comer. Com a convivência, ela saberá também que uma das coisas que eu mais gosto são doces e que sempre arranjo uma desculpa para comê-los.

Calor? Sorvete. Estresse? Bolo. TPM? Brigadeiro.

Essa fixação por doces, claro, tem seu preço – leia-se quilos a mais e possíveis problemas de saúde. Por isso, de uns tempos para cá, eu tenho me preocupado mais com o que eu consumo, tanto no aspecto quantitativo quanto no qualitativo, buscando alternativas mais saudáveis para as receitas que faço em casa e para os doces que como por aí. Quem se preocupa com a alimentação e está sempre na rua sabe que controlar o que se come fora de casa não é fácil, pois não é todo estabelecimento que oferece pratos saudáveis, muito menos doces saudáveis. Assim, nesse final de semana resolvi começar a fazer doces e salgados mais nutritivos para levar comigo ao longo da semana. É uma ótima forma de comer melhor, nos intervalos certos, praticar minhas habilidades culinárias e ainda economizar um bom dinheirinho!

Oficina de Aproveitamento Total dos Alimentos | Receitas

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A comida que transforma

Em certo ponto da vida, a maioria de nós para e reflete sobre nós mesmos e os caminhos que estamos trilhando. Algumas pessoas pensam por um breve período e logo se redescobrem. Outras levam mais tempo nesse processo.

Eu certamente levo mais tempo.

Ao longo dos últimos anos, conquistei uma formação acadêmica muito boa que… não era bem o que eu queria. Consegui um emprego em uma área de que gosto, mas não diria que é o sonho da minha vida. Depois muito pensar no que fazer para mudar essa situação, cheguei à conclusão que faltava algo que desse um sentido à minha existência, algo que me permitisse beneficiar a sociedade e o mundo, pelo menos um pouquinho.

No começo deste ano, um amigo me falou sobre um  de seus trabalhos de faculdade, um vídeo que ele estava fazendo para um projeto chamado Atados. O Atados é um site de recrutamento em que organizações sem fins lucrativos publicam oportunidades de trabalho voluntário e as pessoas se oferecem para assumir aquelas com que mais se identificam. Foi então que minha cabeça se pôs a funcionar e pensou que, embora eu não pudesse fazer muita coisa em relação à minha formação e emprego no momento, era possível satisfazer minha vontade de ajudar o próximo e fazer algo realmente importante através de um trabalho voluntário. Foi assim que eu conheci a Gastromotiva, uma organização que oferece cursos de formação em gastronomia para pessoas de baixa renda que sonham em trabalhar com comida.

Gastromotiva

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Um mercado diferente

Desde que me envolvi com a culinária, percebi que a função da comida vai além da garantia de nossa subsistência. Ela é, muitas vezes, a comemoração de nossas conquistas, o consolo em momentos de tristeza e o ímã que nos aproxima uns dos outros e faz com que nos unamos em prol de um objetivo comum.

O Mercado – Festival Gastronômico das Estações, uma feira organizada pelos chefs Checho González e Henrique Fogaça e a produtora cultural Lira Yuri, é talvez um dos melhores exemplos de como a comida é capaz de unir as pessoas mais diferentes entre si. A terceira edição da feira aconteceu no dia 22 de setembro e reuniu sessenta (sessenta!) chefs e confeiteiros, além de pessoas de toda cidade que vieram atrás de um almoço nada tradicional.

O Mercado | Foto de Wellington Nemeth

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Aprendendo a cozinhar de verdade

Entre trabalho e faculdade, não consegui postar nada nas últimas semanas – mas eu bem que tentei. Nesse meio tempo, fiz um brownie (que não desgrudava da forma de jeito nenhum) e um bolo de abacaxi com coco (que ficou com o pão de ló duro, vejam que proeza). Como nada ficou do jeito que eu queria, resolvi não postar as receitas. Vai que eu fiz errado e passo instruções erradas aqui. Vocês iam me matar!

Tem gente que nasce com o dom de cozinhar e, como vocês podem ver, eu não sou uma delas. Faço doces gostosos, mas nem sempre eles ficam do jeito que eu queria ou eles simplesmente dão errado mesmo. Por isso, resolvi me profissionalizar um pouquinho – hoje começam minhas aulas de confeitaria, lá no Senai! Empolgação é o que não falta: são seis horas da manhã de um sábado e, assim que o despertador tocou, eu saí correndo para escrever esse post e me arrumar para o primeiro dia de aula.

O mais legal disso tudo (além de eu aprender a cozinhar do jeito certo, com técnicas e tudo mais), é que vou poder passar para vocês mais receitas, dicas, truques e ainda avaliar o curso como um todo. Não sei se algum de vocês já procurou por cursos de confeitaria no Brasil, mas não são muitos. Eu tive bastante dificuldade de encontrar um que fosse profissionalizante (e mais barato) e achei que seria legal avaliar as opções que fiz/faço/farei para ajudar quem tem interesse em se especializar também. O que acham?

Além do blog, se for possível, vou tentar postar fotos e mostrar um pouquinho do curso, enquanto ele acontece, nas mídias sociais. Curtam a página do Facebook (facebook.com/blogsweetsonly), sigam o Twitter (twitter.com/blogsweetsonly) e também o Instagram (instagram.com/blogsweetsonly) para ter um gostinho das aulas de confeitaria do Senai!

Cheesecake de ricota com creme de morango

Desde que comecei a cozinhar, eu tento reproduzir os doces mais gostosos que comi por aí e faz quase um ano que queria fazer um cheesecake. No entanto, as receitas que eu achava eram muito complicadas (estranho, porque a maioria das que achei pesquisando para este post eram bem simples) ou exigiam ingredientes não muito baratos e nem tão fáceis de achar, como o creme de leite fresco. E aí eu desistia. Dessa vez, fuçando em receitas antigas que minha mãe coleciona, encontrei a de uma torta de ricota deliciosa que ela já fez várias vezes e a juntei a outras receitas para chegar no produto final: um cheesecake de ricota com creme de morango.

Cheesecake de Ricota com Creme de Morango

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Desastre na cozinha

Nesse final de semana, uma das minhas priminhas faz aniversário e a mãe dela havia pedido para eu fazer os cupcakes da festa. Não era uma quantidade grande e eu achei o máximo ela ter confiado em mim para isso, mesmo eu sendo só uma iniciante na cozinha, então aceitei o convite. Ela pediu 48 cupcakes de chocolate com cobertura rosa, que resolvi fazer com ganache de chocolate branco tingido. Pesquisei várias receitas de bolo, escolhi uma da Martha Stewart – uma guru da culinária norte-americana -, comprei os ingredientes, fiz a receita e… deu errado. Os bolinhos são bem gostosos, mas ficaram todos baixos e meio deformados. Nada apetitoso para uma festa de criança.

Era apenas o começo do sábado à noite, então nem tudo estava perdido. Pedi uma ajudinha à minha mãe para encontrar outra receita que desse certo e ela me deu uma que não faço ideia de onde saiu, mas ela já havia feito esse bolo algumas vezes e tinha ficado leve, fofinho e saboroso. Peguei as instruções, fiz a receita e dessa vez eles ficaram altinhos e redondinhos, como eu queria. Peguei o mais feinho para experimentar e, ao invés de chocolate… o gosto era de farinha.

Essa foi uma semana bem puxada e eu achei que o cansaço poderia estar interferindo no processo. Não sei como é para vocês, mas, quando estou cansada, triste ou irritada, nada dá certo. É engraçado (e meio brega, talvez) pensar assim, mas amor e felicidade parecem ser ingredientes essenciais a qualquer receita. Desisti dos cupcakes por aquela noite e resolvi adiantar a ganache de chocolate branco, já que ela precisava esfriar e descansar antes de ser utilizada para confeitar os bolinhos.

De novo, deu errado. Eu já havia tentado fazer ganache de chocolate branco uma vez e ela ficou intragável, além de não firmar de jeito algum. Por isso, resolvi usar outra receita, do blog Fofurices, e coloquei até um pouco menos creme de leite do que ela pedia, para a ganache ficar firme e durar a festa toda. Hoje de manhã, quando fui ver se ela estava no ponto que queria, me deparei com uma gosma rosa e líquida, impossível de parar em cima de um cupcake. Ela estava gostosa dessa vez, mas isso não adiantava nada, já que não dava para usar.

Assim, além de muito estresse e mau-humor, o saldo do final de semana foi:

  • 2 kgs de gosma rosa líquida;
  • 24 cupcakes de chocolate gostosos, mas feios;
  • 26 cupcakes e dois bolos de chocolate bonitinhos, mas com gosto de farinha;
  • Pilhas, pilhas e mais pilhas de louça para lavar;
  • 1 dedo machucado por um bico de confeitar (!!!).

Desabafos à parte, fica aqui a moral dessa história para que seus dias na cozinha sejam melhores do que os que tive nesse final de semana:

Sempre testem as receitas antes de fazê-las para alguém.

Beleza e sabor são essenciais na gastronomia e pode levar um tempo até que você domine uma receita e a execute com perfeição.

Hi-hat cupcakes

Os dias da minha mãe começam com duas ou três xícaras de café com leite. Depois do almoço, um cafézinho não pode faltar. E, às vezes, durante a manhã ou a tarde, ela ainda consegue encaixar mais um ou outro. Então, depois de ter aprendido aquele tiramisu incrível com o Luca Gozzani, eu achei que esse seria o doce perfeito para comemorar o Dia das Mães!

E aí, no sábado, minha mãe disse:

“Filha, você podia fazer aquele cupcake com marshmallow e chocolate de novo pra mim, né?”

Pedido de mãe não se nega, muito menos no Dia das Mães. Por isso, fico devendo a receita do tiramisu, mas espero compensar com esse cupcake de chocolate coberto com marshmallow e casquinha de chocolate, mais conhecido como hi-hat cupcake.

Hi-hat Cupcake

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Os sutis doces de Luca Gozzani

A última palestra/degustação do dia era “Sutil Doce”, com o chef do Fasano, Luca Gozzani. Fiquei fascinada por sua simplicidade, humildade e paixão pela cozinha e mais ainda pelos doces que nos apresentou, ambos com mascarpone. Como é de se esperar do chef de um restaurante tão conceituado, Luca é muito detalhista, preciso e tem um forte rigor estético.

A primeira receita que Luca fez foi de um tiramisu. Eu só conhecia o doce de nome e, para ser sincera, não tinha muita vontade de experimentá-lo porque ele é feito com café, em que não sou muito chegada. Por isso, fiquei bem surpresa quando, enquanto o chef fazia a receita, minha boca foi se enchendo d’água e eu mal podia esperar para me acabar naquelas camadas de creme e biscoito com café.

"Sutil Doce", com Luca Gozzani @ 7º Paladar - Cozinha do Brasil

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O carisma do Mercadinho Dalva e Dito

Além das palestras, debates e degustações, no 7º Paladar – Cozinha do Brasil havia também uma feirinha com stands de patrocinadores e apoiadores do evento. Lá estavam a Tramontina e suas panelas incríveis, a Editora Senac e seus livros lindos e caros de gastronomia, o Suplicy Cafés Especiais e seu leite com caramelo cremoso e, o meu favorito, o Mercadinho Dalva e Dito. Quem me conhece sabe que o Alex Atala é um dos meus ídolos, mas eu ainda não tinha experimentado nada de seus empreendimentos. Como eu tinha umas seis horas livres entre as palestras que iria assistir, passei parte delas lá no mercadinho, degustando e comprando as delícias que eles vendiam.

O Mercadinho Dalva e Dito é uma mercearia que fica ao lado do Dalva e Dito. Ele é comandado pela padeira Patrícia Wendel, responsável por delícias como o bolo de chocolate com pedaços de banana e a rosca de rúcula. No minimercadinho do Paladar, havia bolos, pães, doces diversos e grãos produzidos pelos pequenos agricultores que Alex apóia, tudo organizado em caixotes e prateleiras de madeira que davam aquele ar de mercado de bairro mesmo, rústico, simples e convidativo. Para casa, comprei dois bolos, o de chocolate com pedaços de banana e o de fubá branco com goiabada, e um pote de doce de leite.

Mercadinho Dalva e Dito @ 7º Paladar - Cozinha do Brasil

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